Por: Carina Barros Lins e turma do 3º período de Comunicação Social UFPE. Coord. Profa. Adriana Santana

Produção audiovisual inscrita por Carina Barros Lins, estudante do curso de Artes Visuais do IFPE e de Comunicação Social – Jornalismo do 3.º período, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O trabalho foi desenvolvido em 2019, na disciplina de ‘Redação para os meios de Comunicação’, juntamente com colegas de turma e orientado pela professora Adriana Santana.

Produção audiovisual baseada na letra da música “Miss Beleza Universal”, da feminista e compositora pernambucana Doralyce Gonzaga. A cantora de Olinda, residente no Rio de Janeiro, acredita no poder da arte como meio de revolucionar a sociedade, promovendo uma profunda reflexão sobre o papel das vozes que foram historicamente silenciadas.

A artista enfatiza, na respectiva canção, a luta e resistência do feminismo em desmonte ao sistema opressivo dos padrões de beleza impostos às mulheres, propondo também a queda do patriarcado ainda sustentado por uma parcela considerável da sociedade. Foi utilizada a música na versão da Showlivre cantada por Doralyce e por Bia Ferreira, cantora, compositora e produtora musical e traz consigo a luta contra as estruturas racistas, machistas e LGBTQIfóbicas.

O audiovisual teve como objetivo central despertar e levar a reflexão acerca da pressão social existente sobre a figura feminina, sobre os padrões de beleza ditos como ideais, seja pela cor da pele, o formato do corpo, cabelo e o modo de se vestir, por exemplo.

O sistema social, ainda bastante marcado pelos valores arcaicos patriarcais, perpertua termos como “”bela, recatada e do lar””, os quais possuem força no imaginário social contemporâneo, sendo de extrema importância a existência de produções que busquem ir na contramão desse ideal. A ideia do projeto era justamente a de desconstruir a crença de que mulher precisa ser perfeita esteticamente (no que concerne ao padrão midiático), que apenas se sente realizada se estiver casada, que mulher não pode ser questionadora, que deve se dedicar exclusivamente aos afazeres de casa e que a figura feminina autêntica é aquela que tem filhos.

A situação problema na qual o roteiro tomou como base foi a sororidade feminina, apoiada na perspectiva de soltura de amarras e empoderamento em conjunto. Assim como Naomi Wolf, defende em seu livro o mito da beleza, a ideia do belo foi projetada artificialmente para lançar as gerações das mulheres umas contra as outras. A autora afirma que o fortalecimento consciente desses vínculos (colaboração entre gerações) devolve ao o ciclo vital a integridade que o mito da beleza desejaria impedir que fosse descoberto. Destacando também que as qualidades que um determinado período considera belas nas mulheres são apenas símbolos do comportamento feminino que aquele período julga ser desejável. Por isso, por mais que exista uma norma que oprime em voga na sociedade, é preciso a decodificar e desconstruir.

O trabalho enfatiza o combate ao machismo disseminado pelo reforço de estereótipos, retratando situações tanto de violência simbólica e física por parte do assédio. Por mais que exista qualquer fala depreciativa usada pelo senso comum, que persista a objetificação do corpo, busca-se deixar claro que cada mulher deve ser o seu próprio padrão de beleza, a própria miss beleza universal.

A produção foi realizada no Laboratório de Imagem e Som (LIS) da UFPE. Todo o processo, desde a criação do roteiro até as filmagens do trabalho foi acompanhado pela orientadora, professora Adriana Santana.

Foi utilizada uma câmera da instituição e a iluminação nas cores vermelha, azul e amarela, com um fundo preto para dar um efeito e entonação específica em cada cena. Na construção de toda iluminação, foi usado como referência o vídeo “Todxs Putxs”, lançado em 2017, pela cantora e compositora Ekena Monteiro.

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